A situação política e os animais

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Diversas pessoas ao meu redor estão extremamente preocupadas com a situação política brasileira. Alguns estão com medo do retorno à ditadura. Outros, com medo de perseguição e aumento da agressividade por parte das pessoas e policiais. Mas o que tudo isso tem a ver ou como isso reflete no comportamento dos animais?

O ódio disseminado durante as prévias eleitorais não é novidade. O “se você não está comigo, está contra mim” é conhecido desde a época das cavernas. Muitos animais, assim como o homem, são sociais. Viver em sociedade tem seus benefícios, mas também há imensos custos.

Alguns animais não são sociais o tempo todo, mas aceitam viver em grupos em momentos específicos, para objetivos determinados. Algumas espécies de felinos vivem solitariamente, porém, na hora da caça, buscam semelhantes para garantir a comida. O mesmo acontece em estações de água, na qual vários indivíduos se juntam e compartilham um recurso.

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Muitas pessoas acreditam que todos os problemas e conflitos no reino animal são resolvidos através de brigas. Sabe aquela cena de um elefante marinho brigando com o outro até a morte, que vemos nos documentários na tv? Eles são raríssimos para qualquer espécie.

Resolver tudo na porrada ou com violência é uma característica tipicamente humana. Os animais sabem que uma briga é extremamente custosa. Ele pode se ferir gravemente, inviabilizando a obtenção de comida ou, até, levando a sua morte. Para isso, a maioria dos animais têm os comportamentos agonísticos. Com eles, há a comunicação ao outro animal de que a situação não é tolerada.

Pelos ouriçados, rosnados, latidos, rabo tenso, orelhas para trás, demonstração de dentes e corpo proeminente a frente são alguns dos comportamentos agosnísticos de um cão. Ele demonstra claramente que não está gostando daquela situação, antes mesmo de atacar. Se um cão parte direto para o ataque, sem fazer essas demonstrações, há um sério problema de comunicação.

Porém, quando há dois cães, um apresentando os comportamentos de agressividade e outro evitando a briga, o segundo também emite diversos sinais, chamados calming signals ou sinais de apaziguamento. Quando o cão agressivo percebe os sinais do segundo cão, ele tende a desistir da briga. Se há um cão que não faça isso, ele também não fala cachorrês e precisa ser ensinado a se comunicar corretamente.

A natureza dos animais não é agressiva. Eles não resolvem tudo por meio da violência. Muito pelo contrário. Muitas espécies, principalmente de primatas, sanam conflitos com atos sexuais. Assim, todos relaxam e resolvem suas diferenças.

Por que, então, o ser humano é tão agressivo?

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Usamos celulares de última geração, queremos estar na última moda, conhecer as tecnologias mais modernas, mas continuamos nos comportando como na antiga Itália, batalhando no Coliseu.

Hoje, as guerras não são contra animais, como antigamente. Mas contra nós mesmos. A violência é ensinada em casa, quando para a criança obedecer, os pais batem ou castigam. Ou mesmo quando o filho cresce vendo os pais baterem no cão, para que esse se torne mais manso e submisso, ou “entenda quem é que manda”.

Não adianta termos medo de um futuro presidente, se a agressividade está em nós. Não precisamos do álibi de ninguém para agredir o gato da vizinha ou brigar no trânsito.

Para os animais, pouco importa se o outro pinta os pelos de rosa ou se tem somente três patas. Se são da mesma espécie ou do mesmo grupo, serão tratados igualmente: sem violência.

Os animais podem, sim, ser extremamente agressivos com seres humanos. Diversas vezes ouvimos relatos de ataques. Normalmente, o que propicia esse comportamento é o medo. Com receio de ser morto, atacado, ferido, o animal prefere garantir sua sobrevivência e atacar primeiro. Sabe “a melhor defesa é o ataque”?

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Violência gera violência

O que deixamos de perceber é o quanto toda essa raiva, esse rancor, esse ódio e essa agressividade passam para frente.

Ontem mesmo fui atender um buldogue francês. Um ano e três meses de puro pelo fofo. Apesar do pouco tempo de vida, a cãozinho chegava ao ser quarto lar. Sendo que o segundo sem sofrer maus tratos.

Nos dois primeiros, o pequeno apanhava de vassoura, levava tapas e chutes. Tudo isso com a intenção de que ele se comportasse melhor. Como não funcionou, ele foi passando para frente, como um descarte.

Até finalmente chegar às mãos de um casal empenhado em resolver o problema do peludo. Porém, hoje, a esposa do casal me mandou uma foto. Por medo, o cão havia avançado e ferido muito seus pés. Ela, sem saber como agir, se prostrou no sofá, aos prantos, desejando devolver o peludo ao seu antigo cuidador. Mas não o fez.

É possível contornar essa situação e ensinar o cão a não ser agressivo. Mas precisa de muita paciência, persistência e amor. Mordidas acontecerão. Machucados aparecerão. Mas a meta de dar amor e poder oferecer uma vida digna a esse animal, deve ser maior.

Percebe como a agressividade da primeira casa do cãozinho chegou a quarta, mesmo sem ter havido uma única agressão da última?! A agressividade, seja ela verbal ou física, terá consequências. Se não aos seus olhos, na pele ou no coração de um outro alguém, que pode não ter nenhuma relação com tudo isso.

Se utilizar de agressividade, em qualquer que seja a situação, não é sinal de soberania, mas de fraqueza. Sinal de que a inteligência ou a sagacidade não foi suficiente para resolver de uma outra forma, além da violência.

Bater, xingar, gritar, humilhar, ou qualquer outra técnica aversiva não funciona com os animais e tampouco com os seres humanos. Somente ensinará o outro a usar sua força para solucionar qualquer conflito ou medo.

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