Tutores reduzem passeios e investem em roupinhas; saiba cuidar do pet no frio

Basta a temperatura cair para aparecer a vontade de ficar mais tempo na cama, paradinho debaixo da coberta ou surge aquela fominha extra. Se identificou? Com os pets não é diferente.

O frio também faz com que os animais fiquem mais preguiçosos e passem mais tempo deitados ou dormindo. É assim com os galgos italianos Patrick, 1, Olavo, 2, e Valentina, 3. Eles moram em São José dos Campos (SP) e adoram brincar, mas sentem muito quando esfria.

A tutora, Alice Bertolli, 26, diz que eles tremem até mesmo no verão, com uma brisa do mar. Para ela, efeito da pouca quantidade de gordura e do pelo baixinho da raça.

Por isso, aposta em roupinhas, cobertas, abraços e brincadeiras sob o sol –quando os cães ficam sem os casaquinhos. Com passeios reduzidos nas temperaturas baixas, Alice investe em enriquecimento ambiental –como brinquedos recheáveis– para que os pets gastem energia em casa.

Caroline Mouco, diretora da rede de serviços veterinários Vet Popular, explica que todos os cachorros sentem frio. “Todos os cachorros sentem frio. As raças que têm uma pelagem mais espessa são mais resistentes ao frio, quando comparadas a cães com pelagens curtas.”

É o caso da golden retriever Agnes, 6, que mora na zona leste de São Paulo. Com o pelo abundante, ela não se incomoda com a mudança na temperatura.

A cadela passa o dia dentro do apartamento, longe do vento, e só sai para passear em horários mais quentes do dia. Mesmo assim, teve gripe recentemente e precisou ser medicada.

A tutora, Tatiana Sayuri Moreno Motta, 40, percebeu que algo estava errado quando Agnes ficou amuada, começou a espirrar e tossir demais. Exames de raio-X e de sangue levaram a um diagnóstico precoce, e o tratamento foi rápido e eficaz.

No entanto, após esse episódio, a tutora decidiu incluir mais uma vacina no calendário anual: contra a gripe.

“A vacina anual contra gripe é importante pois previne contra a traqueobronquite infecciosa canina, que é mais comum nesta época do ano e causa quadros de tosse intensa, provocando muito desconforto ao pet. Embora a vacina não traga 100% de proteção contra a doença, ainda assim seu uso é indicado porque diminui consideravelmente os sintomas apresentados”, afirma Cinthya Ugliara, médica veterinária e sócia da Dra.Mei, franquia do Grupo Petland.

O jack russell Theo, 2, que mora na zona sul da capital paulista, toma sempre todas as vacinas e nunca teve doenças de inverno. Com pelo curtinho, ele não gosta muito  de roupinhas para se aquecer, mas não dispensa um cobertor.

Segundo o tutor, Alvaro Morila, 38, o cãozinho tem muita energia e vai para a creche três vezes por semana, embora fique menos agitado nos dias frios. Quando está em casa, faz um ninho com o edredom e passa boa parte do tempo deitadinho.

Eles saem três vezes por dia para as necessidades e, nesse caso, Theo não se importa tanto com a roupinha –especialmente à noite. No frio, o banho ficou mais espaçado e, em vez de a higiene ser feita em casa, Morila prefere levar o cachorro em um pet shop, para que os cuidados e a secagem sejam perfeitos.

De acordo com a veterinária Caroline Mouco, o ideal para esta época é evitar tosas mais curtas e manter a escovação dos pelos. A recomendação é dar banho com água morna, secar bem o cachorro –com uma toalha e com o secador– e não deixar o pet em locais com correntes de ar.

Se o frio trouxer também mais fome, a dica é não ceder facilmente aos apelos do animal. “Como no frio existe um gasto de energia maior para manter o corpo aquecido, também pode haver mais fome. Antes de fazer qualquer reforço na alimentação do pet é importante buscar a avaliação de um veterinário, que irá identificar o escore de condição corporal do pet e orientar sobre a necessidade alimentar adequada para ele no frio”, diz a veterinária Cinthya Ugliara.

Frio
– Todos os pets sentem frio, embora raças com pelagem mais espessa sejam mais resistentes
– Além de apresentar tremores, os pets passam mais tempo encolhidos, deitados ou dormindo
– Em situações de muito frio é possível notar patas e orelhas geladas ou mucosas com coloração pálida

Filhotes e idosos
– Filhotes e idosos tendem a ter uma capacidade menor de manter a temperatura do corpo e podem apresentar imunidade mais frágil, ficando suscetíveis às doenças comuns do frio
– É  preciso mantê-los aquecidos com roupinha e deixá-los em ambiente seco, com coberta disponível

Alimentação
– O animal pode sentir mais fome no frio, mas a dieta deve ser mantida para evitar sobrepeso e obesidade
– Antes de alterar a alimentação, o tutor deve buscar a avaliação do veterinário

Roupinhas e sapatinhos
– A proteção é recomendada para animais de pelos curtos, em dias mais frios, desde que não atrapalhe os movimentos ou deixe o pet desconfortável
– Os tecidos mais apropriados para evitar alergias são à base de algodão –lã deve ser evitada
– Alguns pets podem não se adaptar com roupas, principalmente com sapatinhos. Nesses casos, prefira cobertas
– Além de agasalho, animais que ficam fora de casa precisam ter abrigo de tamanho adequado contra frio e chuva e uma coberta seca sempre disponível
– Roupas não são recomendadas para gatos. Elas incomodam e atrapalham o comportamento dos felinos de se limpar por meio de lambidas

Pele e pelo
– Para evitar nós e manter a saúde da pele, o animal não deve ficar com a mesma roupa por dias seguidos; a peça deve ser retirada por algumas horas e o pelo, escovado
– Hidratantes de uso veterinário podem ser aplicados, principalmente nas áreas sem pelos e coxins das patas
– Protetor solar também pode ser usado para pets no inverno, especialmente em animais que ficam muito tempo ao ar livre
– Quedas de pelo costumam ser mais intensas na primavera e no outono, como uma para preparação da pelagem para as épocas mais quentes (verão) e mais frias (inverno). Se o pet apresentar queda maior que a de costume ou por um período acima de 30 dias, o veterinário deve ser consultado

Banho e tosa
– A pelagem é uma barreira natural para os pets, por isso cortes muito curtos devem ser evitados –a tosa higiênica deve ser mantida
– A frequência de banho depende da necessidade de cada animal. A orientação é espaçar em períodos muitos frios, mas em casa pode ser dado com água morna e em local sem correntes de ar
– A secagem precisa ser feita com toalha e secador para evitar fungos e dermatites

Passeios e exercicios
– A recomendação é que as saídas ocorram em horários menos frios, como entre o fim da manhã e começo da tarde
– O pet deve estar bem hidratado e agasalhado durante o passeio
– Em dias de temperaturas muito baixas, estimule a atividade dentro de casa

Doenças de inverno
– As doenças respiratórias são as mais comuns nesta época, como gripes, pneumonias e alergias respiratórias
– A gripe canina –ou tosse dos canis– é uma traqueobronquite que tem sintomas parecidos com a gripe humana, como falta de apetite, espirros, tosse seca. Se não tratada corretamente, pode evoluir para pneumonia

Vacinas
– Manter as vacinas em dia garante a saúde do pet –e da família
– Além das obrigatórias, como contra a raiva, a dose anual contra contra gripe é importante para prevenir a tosse dos canis, doença altamente contagiosa entre os pets e que provoca desconforto ao animal

O que não fazer no frio
– Não deixar o pet úmido ou molhado após o banho
– Não deixar que ele brinque com água
– Evitar passeios nos dias de frio mais intenso
– Não deixar o animal com roupa por dias seguidos
– Não alterar a alimentação sem a orientação do médico veterinário.

Fontes: Caroline Mouco, diretora da rede de serviços veterinários Vet Popular, e Cinthya Ugliara, médica veterinária e sócia da Dra.Mei

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