Doenças Cardíacas em Cães e Gatos: Sintomas, Diagnóstico e Prevenção (2026)

Se você tem um cão ou gato em casa, sabe que a saúde deles é uma prioridade. Mas um problema silencioso preocupa cada vez mais veterinários no Brasil: as doenças cardíacas em cães e gatos. Estima-se que até 10% dos cães e 15% dos gatos têm algum grau de comprometimento cardíaco ao longo da vida — e muitos tutores só descobrem quando a situação já está avançada.

Com o Setembro Vermelho Pet 2026, o mês dedicado à conscientização sobre saúde cardiovascular dos animais de estimação, é o momento ideal para você entender os sinais de alerta, como funciona o diagnóstico e, principalmente, o que fazer para proteger o coração do seu pet. Neste guia completo, você vai descobrir tudo isso. Tempo de leitura estimado: 9 minutos.

O que são doenças cardíacas em pets?

As doenças cardíacas em animais de estimação são condições que afetam a estrutura ou o funcionamento do coração — podendo comprometer a capacidade do órgão de bombear sangue de forma eficiente para o resto do corpo. A verdade é que, assim como acontece com os humanos, o coração dos pets também é vulnerável a uma série de problemas ao longo da vida.

Existem dois grandes grupos de cardiopatias em pets: as congênitas (presentes desde o nascimento, como defeitos nas válvulas ou nas câmaras cardíacas) e as adquiridas (que se desenvolvem ao longo da vida, geralmente em animais adultos ou idosos). A maioria dos casos diagnosticados em cães e gatos pertence ao segundo grupo.

O que torna esse tema tão importante é que muitas dessas doenças evoluem de forma silenciosa. Durante meses ou até anos, o pet pode não apresentar nenhum sintoma aparente — e o coração vai compensando a falha com esforço progressivo. Quando os sinais aparecem, a doença muitas vezes já está em estágio intermediário ou avançado.

Por isso, a conscientização é a melhor ferramenta. Saber o que observar no comportamento do seu pet e manter as visitas regulares ao veterinário podem fazer toda a diferença no prognóstico e na qualidade de vida do animal.

Principais tipos de doenças cardíacas em cães e gatos

Cachorro golden retriever descansando em casa - saude do coracao dos pets
Pets de raças médias e grandes têm predisposição a diferentes tipos de cardiopatias

Olha só a variedade de condições que podem afetar o coração dos nossos bichinhos. Cada espécie e raça tem suas vulnerabilidades específicas, e conhecê-las ajuda você a ficar de olho nos sinais certos.

Em cães

Doença Mixomatosa da Válvula Mitral (DMVM): É a cardiopatia mais comum em cães, especialmente em raças pequenas como Cavalier King Charles Spaniel, Poodle, Pinscher e Dachshund. A válvula mitral — que fica entre as câmaras esquerda do coração — vai se degenerando com o tempo, permitindo que o sangue flua de volta. Isso força o coração a trabalhar mais, levando à insuficiência cardíaca congestiva.

Cardiomiopatia Dilatada (CMD): Mais frequente em raças grandes, como Dobermann, Boxer, Dogue Alemão e São Bernardo. Nessa condição, as paredes do coração ficam mais finas e fracas, dificultando a contração adequada. O órgão aumenta de tamanho e perde eficiência de bombeamento.

Estenose Pulmonar e Aórtica: São defeitos congênitos que causam estreitamento das válvulas pulmonar ou aórtica, forçando o coração a trabalhar mais para bombear o sangue. Podem ser detectados ainda em filhotes durante o exame veterinário inicial.

Em gatos

Cardiomiopatia Hipertrófica (CMH): É de longe a doença cardíaca mais comum em gatos, responsável por mais de 60% dos casos. As paredes do ventrículo esquerdo ficam espessas demais, reduzindo o espaço interno e prejudicando o enchimento de sangue. Raças como Maine Coon, Ragdoll e Persa têm predisposição genética, mas qualquer gato pode ser afetado. A CMH é traiçoeira porque raramente dá sintomas até um evento agudo — como tromboembolismo ou edema pulmonar.

Cardiomiopatia Restritiva: Nessa forma, o tecido do coração perde elasticidade, dificultando o relaxamento entre os batimentos. É menos comum que a CMH, mas igualmente séria.

Cardiomiopatia Dilatada Felina: Historicamente associada à deficiência de taurina na dieta, tornou-se rara com a evolução das rações. Ainda assim, pode ocorrer em gatos mal nutridos ou com dietas caseiras desequilibradas.

Sintomas de problemas cardíacos: como identificar

Os sinais de doença cardíaca em pets variam de acordo com o estágio da condição e a espécie. Entender o que observar é fundamental — porque muitas vezes os tutores atribuem o cansaço ou a tosse do pet ao “envelhecimento natural”, sem perceber que pode ser algo mais sério.

Sinais em cães

  • Tosse persistente, especialmente à noite ou no início da manhã — pode indicar acúmulo de líquido nos pulmões (edema pulmonar)
  • Intolerância ao exercício: o pet cansa muito rápido em atividades que antes eram simples, como uma caminhada curta
  • Respiração rápida ou ofegante em repouso
  • Barriga estufada (ascite) sem ganho de peso — pode ser sinal de acúmulo de líquido abdominal
  • Síncope ou desmaio durante esforço ou emoção
  • Perda de peso progressiva e fraqueza geral
  • Gengivas e língua com coloração acinzentada ou azulada (cianose)

Sinais em gatos

Os gatos são mestres em esconder a dor e o desconforto, o que torna a identificação ainda mais desafiadora. Fique atento a:

  • Respiração abdominal (barriga movendo-se visivelmente ao respirar)
  • Boca aberta para respirar — em gatos, isso é sempre sinal de alerta
  • Letargia extrema: o gato fica menos ativo, dorme mais e brinca menos
  • Perda de apetite e emagrecimento rápido
  • Paralisia posterior súbita: pode ser sinal de tromboembolismo aórtico, uma das complicações mais graves da CMH — a coagulação provoca bloqueio circulatório nos membros traseiros
  • Gemidos ou vocalizações de dor sem causa aparente

A regra geral é: qualquer alteração respiratória em gatos é uma emergência. Não espere para ver se melhora — leve ao veterinário imediatamente.

Como é feito o diagnóstico?

Licença Creative Commons — TV LESTE: Setembro Vermelho Pet e doenças cardíacas em cães

O diagnóstico precoce é o grande diferencial no tratamento das cardiopatias. Quanto mais cedo a condição for identificada, maiores as chances de controlar a progressão e manter a qualidade de vida do pet. O processo diagnóstico geralmente envolve várias etapas:

Ausculta cardíaca

É o primeiro passo em qualquer consulta veterinária. Com o estetoscópio, o veterinário escuta os sons do coração em busca de sopros cardíacos — sons anormais causados pela turbulência do sangue. Os sopros são classificados de 1 a 6 (de acordo com a intensidade), e um sopro de grau 3 ou mais geralmente indica a necessidade de investigação adicional.

Radiografia torácica

A raio-x do tórax permite avaliar o tamanho do coração e identificar acúmulo de líquido nos pulmões (edema) ou ao redor do coração (efusão pericárdica). É um exame fundamental para avaliar a progressão da doença e a resposta ao tratamento.

Ecocardiograma (ultrassom cardíaco)

É o exame de ouro para diagnóstico das cardiopatias em pets. O ecocardiograma permite visualizar em tempo real as estruturas do coração — válvulas, câmaras, paredes e fluxo sanguíneo — com imagens detalhadas e sem causar nenhuma dor ao animal. Com ele, o veterinário cardiologista pode confirmar o tipo de doença, medir a gravidade e orientar o tratamento mais adequado.

Eletrocardiograma (ECG)

O ECG avalia a atividade elétrica do coração e é especialmente útil para identificar arritmias (batimentos irregulares). É um exame complementar, usado junto com o ecocardiograma para uma avaliação completa.

Exames de sangue

Marcadores como o NT-proBNP (proteína liberada quando o coração está sob estresse) e a troponina cardíaca podem indicar lesão miocárdica. Esses exames são especialmente úteis em triagens de rotina ou quando o animal tem histórico de raça predisposta.

Tratamentos disponíveis para doenças cardíacas em pets

A boa notícia é que, embora a maioria das cardiopatias não tenha cura definitiva, existem tratamentos eficazes que permitem controlar a progressão da doença e oferecer ao pet uma vida longa e com qualidade. O tratamento varia conforme o tipo e o estágio da condição.

Medicamentos para cães

Pimobendan (Vetmedin): É o principal medicamento usado no tratamento da insuficiência cardíaca em cães. Atua melhorando a contração do coração e reduzindo a resistência vascular. Estudos mostram que seu uso precoce — ainda no estágio B2 da DMVM, antes dos sintomas — pode retardar o início da insuficiência cardíaca congestiva em meses ou até anos.

Furosemida: Diurético usado para eliminar o excesso de líquido nos pulmões e no abdômen. Fundamental no controle do edema pulmonar.

Inibidores da ECA (enalapril, benazepril): Reduzem a pressão arterial e o esforço do coração, ajudando a retardar a progressão da doença.

Espironolactona: Diurético poupador de potássio que também tem efeito protetor sobre o músculo cardíaco.

Medicamentos para gatos com CMH

O tratamento da cardiomiopatia hipertrófica em gatos é mais complexo e controverso. Em gatos sintomáticos, podem ser usados:

  • Atenolol: Betabloqueador que reduz a frequência cardíaca e o esforço do coração
  • Diltiazem: Bloqueador dos canais de cálcio, melhora o relaxamento do músculo cardíaco
  • Furosemida: Para controle do edema em casos com descompensação
  • Clopidogrel: Antiagregante plaquetário para prevenir tromboembolismo — recomendado em gatos com CMH moderada a grave

A chave é o acompanhamento veterinário rigoroso. As doses precisam ser ajustadas com frequência conforme a resposta do animal, e cada caso é único.

Prevenção: como cuidar do coração do seu pet

Veterinario fazendo ecocardiograma em gato - exame cardiaco para pets
O ecocardiograma é o exame de ouro para avaliar a saúde cardíaca de cães e gatos

Embora nem sempre seja possível evitar as cardiopatias — especialmente as de origem genética — existem medidas concretas que você pode adotar para proteger o coração do seu pet e detectar qualquer problema o mais cedo possível.

1. Consultas veterinárias regulares

O check-up anual (e semestral para animais a partir dos 7 anos) é fundamental. Durante a consulta, o veterinário ausculta o coração e pode solicitar exames adicionais se houver qualquer sinal suspeito. Não subestime esse momento — a ausculta é capaz de detectar um sopro cardíaco antes de qualquer sintoma aparecer.

2. Controle do peso

A obesidade é um dos maiores inimigos do coração dos pets. O excesso de gordura corporal aumenta a demanda de trabalho do coração e favorece condições como hipertensão e diabetes, que agravam as cardiopatias. Manter o pet no peso ideal — com ajuda do veterinário para definir a dieta correta — é uma das melhores formas de proteger o coração.

3. Alimentação equilibrada

Rações de qualidade, balanceadas nutricionalmente e adequadas à espécie, raça e faixa etária do pet, fazem toda a diferença. Para gatos, garantir o aporte adequado de taurina é essencial — esse aminoácido é fundamental para a função cardíaca felina e está presente em rações de boa qualidade. Evite dietas caseiras sem orientação veterinária.

4. Exercício adequado e controlado

Pets com diagnóstico de cardiopatia precisam de atividade física adaptada — nem sedentarismo excessivo, nem esforço intenso. Para pets saudáveis, o exercício regular ajuda a manter o peso, fortalecer o sistema cardiovascular e reduzir o estresse. Sempre respeite o ritmo do animal e os limites de cada raça.

5. Atenção às raças predispostas

Se você tem um Cavalier King Charles Spaniel, Maine Coon, Ragdoll, Dobermann ou qualquer outra raça com predisposição genética a cardiopatias, converse com o seu veterinário sobre rastreamento precoce. Para algumas raças, existe até recomendação de triagem cardiológica antes da reprodução — para evitar que animais com cardiopatias hereditárias transmitam a condição aos filhotes.

6. Setembro Vermelho Pet: aproveite a campanha

O mês de setembro é dedicado à conscientização sobre doenças cardíacas em pets no Brasil. Muitas clínicas veterinárias e hospitais pets oferecem durante esse período auscultas gratuitas ou com desconto, além de palestras e orientações para tutores. É a oportunidade perfeita para agendar aquele check-up que você vem adiando.

Conclusão

As doenças cardíacas em cães e gatos são mais comuns do que a maioria dos tutores imagina — e o silêncio com que evoluem é seu maior perigo. Mas a boa notícia é que, com diagnóstico precoce e acompanhamento veterinário adequado, muitos pets com cardiopatia vivem anos com qualidade e alegria.

Neste Setembro Vermelho Pet 2026, faça do check-up cardíaco uma prioridade. Agende uma consulta, peça ao seu veterinário para auscultar o coração do seu pet e, se houver qualquer sinal de alerta, não hesite em procurar um especialista em cardiologia veterinária. O coração do seu bicho merece esse cuidado.

Perguntas Frequentes

Como saber se meu cachorro tem problema no coração?

Os principais sinais são tosse persistente (especialmente à noite), cansaço fácil durante passeios, respiração rápida em repouso, barriga estufada e desmaios. Muitos cães, porém, não apresentam sintomas nos estágios iniciais — por isso a ausculta veterinária regular é fundamental. Se o veterinário identificar um sopro cardíaco, exames como o ecocardiograma podem confirmar o diagnóstico.

Gatos com doença cardíaca têm sintomas visíveis?

Nem sempre, e esse é o grande problema. A cardiomiopatia hipertrófica (CMH), a doença cardíaca mais comum em gatos, muitas vezes não dá sinais até um evento agudo — como dificuldade respiratória súbita ou paralisia das patas traseiras. Por isso, para gatos a partir dos 5 anos (e para raças predispostas a partir dos 2 anos), o rastreamento cardiológico periódico é altamente recomendado.

Doença cardíaca em pet tem cura?

A maioria das cardiopatias adquiridas não tem cura definitiva, mas pode ser controlada com medicamentos e acompanhamento veterinário. Com o tratamento correto, muitos pets vivem anos com boa qualidade de vida após o diagnóstico. Algumas condições congênitas podem ser corrigidas cirurgicamente — como certos defeitos de válvulas — mas isso depende do tipo de condição, do estágio e da disponibilidade de especialistas em sua região.

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