Se você já presenciou seu cão ou gato tendo uma crise convulsiva, sabe o quanto a cena pode ser assustadora. A epilepsia é uma das condições neurológicas mais comuns em pets, e entender como reconhecer os sinais e agir corretamente pode fazer toda a diferença na vida do seu animal. Neste guia completo, você vai aprender tudo sobre epilepsia em cães e gatos: causas, tipos de crise, diagnóstico, tratamentos modernos e como cuidar do seu pet dia a dia.
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O que é Epilepsia em Pets e por que Acontece
A epilepsia é uma condição neurológica crônica caracterizada pela ocorrência de crises convulsivas recorrentes. Essas crises são causadas por descargas elétricas anormais e descontroladas nos neurônios do cérebro. É diferente de uma convulsão isolada: para ser considerada epilepsia, o pet precisa ter duas ou mais crises sem causa identificável imediata.
No caso dos cães, a epilepsia idiopática (sem causa identificável, provavelmente genética) é a forma mais comum, especialmente em raças como Beagle, Labrador Retriever, Golden Retriever, Pastor Alemão e Border Collie. Já nos gatos, a epilepsia é menos frequente, mas quando ocorre costuma ter uma causa subjacente — como doença renal, toxoplasmose, hipertensão ou tumor cerebral.
Segundo dados da medicina veterinária, estima-se que a epilepsia afete entre 0,5% e 5% dos cães, sendo uma das doenças neurológicas mais diagnosticadas na clínica veterinária brasileira. Em gatos, a prevalência é menor, mas não insignificante.
A verdade é que a epilepsia não tem cura na maioria dos casos, mas com tratamento adequado o seu pet pode ter uma qualidade de vida excelente, com as crises bem controladas. Olha só: muitos pets epilépticos vivem anos com crises raras ou praticamente ausentes após o início do tratamento.
Tipos de Crise Epiléptica em Cães e Gatos
Nem toda convulsão é igual. Existem diferentes tipos de crises epilépticas, e reconhecer cada uma delas ajuda o veterinário a fechar o diagnóstico e escolher o melhor tratamento.
Crise generalizada (tônico-clônica): É o tipo mais conhecido. O pet perde a consciência, cai de lado, os músculos ficam rígidos (fase tônica) e depois começam os espasmos ritmados das patas (fase clônica). Pode durar de 30 segundos a 3 minutos e geralmente é seguida de um período de confusão e desorientação chamado período pós-ictal.
Crise focal (parcial): Afeta apenas uma parte do cérebro e pode se manifestar como movimentos involuntários de um lado do rosto, de uma pata, ou comportamentos estranhos como mastigar no vazio, piscar compulsivamente ou olhar fixo para um ponto. Em gatos, é mais comum esse tipo de crise.
Crise focal com generalização secundária: Começa como focal e evolui para uma crise generalizada.
Status epilepticus: Crise que dura mais de 5 minutos ou duas crises sem recuperação entre elas. É uma emergência médica e requer atendimento veterinário imediato.
Cluster de crises: Quando o pet tem duas ou mais crises em 24 horas. Também exige atenção veterinária urgente.

Como Reconhecer os Sinais de uma Crise Epiléptica
Uma crise epiléptica geralmente passa por três fases distintas. Conhecê-las ajuda você a manter a calma e agir corretamente.
Fase pré-ictal (aura): Pode durar minutos ou horas antes da crise. O pet fica inquieto, agitado, busca o tutor, babando ou com comportamento incomum. Nem sempre é perceptível, mas alguns tutores aprendem a identificar os sinais do próprio animal.
Fase ictal (a crise em si): É quando as manifestações aparecem de forma clara — queda, perda de consciência, espasmos musculares, vocalização, urina ou fezes involuntárias, movimentos de pedalar. Dura geralmente de 30 segundos a 3 minutos.
Fase pós-ictal: Após a crise, o pet pode ficar confuso, desorientado, temporariamente cego, andar em círculos, comer ou beber excessivamente, ou simplesmente dormir por horas. É normal e não é motivo de alarme — é o cérebro se recuperando.
Em gatos, os sinais podem ser mais sutis: olhar fixo, salivação excessiva, movimentos faciais, comportamento agressivo repentino ou esconder-se. Por isso, tutores de gatos muitas vezes demoram mais para identificar a epilepsia.
Diagnóstico: Como o Veterinário Identifica a Epilepsia
O diagnóstico de epilepsia nunca é feito apenas pela observação de uma crise. O veterinário — e muitas vezes um neurologista veterinário — vai realizar uma série de exames para descartar outras causas e confirmar a condição.
Histórico clínico detalhado: Você vai precisar relatar quantas crises ocorreram, como foram, quanto duraram, se o pet se recuperou completamente. Gravar um vídeo durante a crise é extremamente útil — os veterinários recomendam isso sempre que possível.
Exames de sangue e urina: Para descartar causas metabólicas como hipoglicemia, insuficiência renal, disfunção hepática, hipocalcemia ou toxinas.
Pressão arterial: Especialmente em gatos, a hipertensão é uma causa comum de crises.
Sorologias: Para descartar doenças infecciosas como cinomose (em cães), toxoplasmose (gatos) e outras que afetam o sistema nervoso central.
Ressonância magnética (RM) ou tomografia computadorizada: Para avaliar a estrutura cerebral e descartar tumores, hidrocefalia, encefalite ou outras lesões estruturais.
Análise do líquido cefalorraquidiano (LCR): Pode ser indicada para identificar inflamações ou infecções cerebrais.
Tratamentos Modernos para Epilepsia em Pets
A boa notícia é que a epilepsia tem tratamento eficaz na grande maioria dos casos. Os medicamentos antiepilépticos (MAEs) são o pilar do tratamento, e o objetivo é reduzir a frequência e a intensidade das crises — idealmente, zerálas ou reduzí-las em pelo menos 50%.
Fenobarbital: É o medicamento de primeira linha para cães e gatos. Altamente eficaz, barato e amplamente disponível no Brasil. Precisa de monitoramento regular do nível sérico e das enzimas hepáticas, pois pode causar hepatotoxicidade em longo prazo.
Brometo de potássio: Frequentemente usado em combinação com o fenobarbital em cães refratários. Não deve ser usado em gatos (pode causar broncopneumonia eosinofílica).
Imepitoin (Pexion®): Medicamento mais moderno, aprovado especificamente para cães com epilepsia idiopática. Tem menos efeitos colaterais hepáticos que o fenobarbital e está disponível no Brasil.
Levetiracetam (Keppra®): Usado como terapia adicional em casos refratários. Pode ser administrado em gatos com segurança. Tem poucos efeitos colaterais.
Zonisamida: Outra opção para casos refratários em cães e gatos. Ainda de uso off-label no Brasil mas prescrita por neurologistas veterinários.
A decisão de quando iniciar o tratamento depende da frequência das crises, do intervalo entre elas e do tipo de epilepsia. Em geral, o veterinário indica o tratamento quando as crises ocorrem mais de uma vez por mês, quando há cluster ou status epilepticus, ou quando as crises são muito severas.
Um exemplo prático: a Cacau, uma Golden Retriever de 4 anos de São Paulo, teve a primeira crise aos 3 anos. Após diagnóstico de epilepsia idiopática e início do tratamento com fenobarbital, passou a ter, no máximo, uma crise leve a cada 4-5 meses. Hoje, com ajuste de dose, está há 7 meses sem crises.
O que Fazer Durante e Após uma Crise: Guia Prático
Saber agir durante uma crise faz toda a diferença. A maior preocupação dos tutores é evitar que o pet se machuque — e as ações são mais simples do que parecem.
Durante a crise:
- Mantenha a calma — o pet não está com dor durante a crise, pois está inconsciente
- Afaste objetos que possam machucar (mesas, cadeiras, escadas)
- NÃO segure a língua do pet — é um mito que animais engolam a língua, e você pode se machucar ou machucar o animal
- NÃO coloque a mão na boca do pet durante a crise
- Coloque-o no chão sobre uma superfície macia, longe de bordas e escadas
- Diminua a estimulação sensorial: apague luzes fortes, reduza sons altos
- Cronometre a duração da crise
- Grave um vídeo se possível — isso ajuda muito o veterinário
- Fique ao lado dele falando com voz calma até a crise terminar
Após a crise (período pós-ictal):
- Não alarme com os comportamentos estranhos — é esperado
- Ofereça água após a recuperação
- Mantenha o ambiente calmo e sem estímulos excessivos
- Ligue para o veterinário e relate o ocorrido
- Leve ao veterinário ou emergência se a crise durou mais de 5 minutos, se houve duas ou mais crises em 24 horas, ou se o pet não se recuperou em 30 minutos

Conclusão: Epilepsia tem Controle e Seu Pet pode Viver Bem
A epilepsia em cães e gatos é uma condição séria, mas absolutamente manejável com o tratamento correto. O segredo está no diagnóstico precoce, no acompanhamento veterinário regular e na adesão ao tratamento — que na maioria dos casos é para a vida toda. Com controle adequado das crises, seu pet pode brincar, correr, dormir no seu colo e ter todos os momentos felizes que merece.
Se você perceber qualquer sinal suspeito, não espere para consultar um médico veterinário. Quanto mais cedo o diagnóstico, melhores as chances de um controle eficaz das crises e uma vida longa e de qualidade para o seu companheiro.
Perguntas Frequentes sobre Epilepsia em Pets
Meu pet pode ter uma vida normal com epilepsia?
Sim! Com tratamento adequado, a maioria dos pets epilépticos tem qualidade de vida excelente. Muitos ficam meses ou até anos sem crises. O acompanhamento veterinário regular e a adesão ao tratamento são fundamentais para esse resultado.
Quanto tempo dura uma crise epiléptica no pet?
Uma crise típica dura entre 30 segundos e 3 minutos. Se durar mais de 5 minutos (status epilepticus) ou se ocorrerem duas crises em 24 horas sem recuperação entre elas (cluster), é uma emergência veterinária — leve imediatamente ao atendimento.
O tratamento com fenobarbital faz mal ao fígado?
O fenobarbital pode causar alterações hepáticas em longo prazo, por isso é obrigatório fazer monitoramento semestral ou anual das enzimas hepáticas e do nível sérico do medicamento. Com esse controle, a grande maioria dos pets usa fenobarbital por anos sem problemas hepáticos graves. Existem alternativas caso necessário.
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