Motorista da app adota cachorra após descobrir que passageira iria sacrificá-la

Por Mariana Agunzi 

Motorista da Uber há quatro anos e meio, o carioca Emerson Lima, 39, nunca imaginou o quanto aceitar uma corrida de aplicativo poderia mudar sua vida.

Na última semana de novembro, ele recebeu um chamado para transportar uma passageira de Copacabana, na zona sul, até Pavuna, na zona norte do Rio. Em seguida, veio a mensagem perguntando se levaria também um cachorro. “Perguntei se era grande, e ela só me respondeu que era quietinho”, conta.

Entraram então no veículo a dona e o animal, uma cachorra enorme e peluda, da raça samoieda. “Só pensei o quanto ia sujar meu carro! Mas aceitei, e a mulher ficava me apressando. Depois, pediu para parar no banco para sacar dinheiro”, diz Emerson.

No caminho, o motorista ouviu a dona do animal no celular dizendo que estava decidida a algo, e que era para “dormir e não acordar mais”. “Nessa hora pensei que podia ser alguma coisa com a cachorra”, relata o motorista.

Ao puxar papo, Emerson descobriu que o animal estava doente, que o tratamento seria caro e que, por esse motivo, estava a caminho de uma clínica para ser sacrificado. “Foi quando falei: a senhora não dá o cachorro para mim? Ela disse que iria pensar, mas, segundos depois, falou que era meu.”

No mesmo momento, Emerson retornou a corrida para a casa da passageira, que lhe entregou os pertences do pet e afirmou que não queria mais notícias da cachorra. Depois, o motorista seguiu para sua própria casa para apresentar à família a surpresa peluda –agora batizada de Vida– que estava no carro.

“A gente mora de aluguel em uma quitinete na comunidade. Até fizemos uma vaquinha para ajudar nos custos e quem sabe alugar um espaço maior, porque a Vida é muito grande”, diz. “Assumi esse compromisso, gastei dinheiro, mas ela está viva. Parece que ela sabe que eu a salvei. Onde eu vou, ela vai.”

Vida passou por exames para descobrir qual era seu problema –uma infecção no útero, conhecida como piometra–, e já realizou a cirurgia que, segundo o novo tutor, custou o mesmo preço que custaria uma eutanásia. Agora, segue mimada e cheia de saúde.

“Deus colocou aquela corrida no meu caminho e eu aceitei levar o cachorrão que sujou meu carro todo. Tinha que acontecer”, afirma Emerson. “Não posso criticar a antiga dona, não sei pelo que ela passou. Mas sei que temos que sempre ajudar o próximo, seja pessoa, seja animal. Ainda mais em uma pandemia.”

*Mariana Agunzi é autora do blog Pitaco Cultural

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