Cães farejam coronavírus em aeroportos de Dubai e Finlândia; Bélgica também treina animais

O potente faro canino começa a ser usado para detectar coronavírus em passageiros em aeroportos. O primeiro foi o de Dubai; agora, um projeto-piloto também acontece no terminal de Helsinque-Vanda, na Finlândia.

O blog mostrou em abril a decisão de pesquisadores britânicos em treinar cães para essa finalidade, com apoio de uma ONG especializada. Animais também estão sendo treinados na Bélgica para farejar humanos sob efeitos da infecção.

Cães têm faro apurado. Ajudam a localizar drogas, câncer, encontrar pessoas na mata ou soterrados. Agora, são aliados contra a Covid. Nesses treinos, eles são ensinados a farejarem amostras e sinalizar quando tiverem encontrado o vírus. Isso, no entanto, não substitui o exame clínico do possível paciente.

Uma das raças treinadas é a pastor belga malinois, que tem grande capacidade de concentração. Mas labrador, golden retriever e pastor alemão também auxiliam contra a disseminação da Covid. São raças que gostam de procurar objetos –para eles, é uma brincadeira– e não desistem com facilidade.

O texto abaixo reúne informações de Ana Estela de Sousa Pinto, de Bruxelas, e da agência Reuters.

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Cães treinados para detectar o novo coronavírus começaram a farejar alguns passageiros no aeroporto de Helsinque-Vanda nesta semana, segundo autoridades, em um projeto-piloto utilizado conjuntamente com exames mais convencionais no aeroporto.

A eficiência dos cães não foi comprovada em estudos científicos comparativos, por isso os passageiros que se oferecem para ser testados e são suspeitos de portar o vírus são instruídos a também fazer um exame de coleta para confirmar o resultado.

Uma equipe de 15 cães e 10 instrutores está sendo treinada para o trabalho na Finlândia por voluntários patrocinados por uma clínica veterinária particular. Entre eles está Kossi, um cão de resgate espanhol que foi treinado como cão farejador na Finlândia e que já trabalhou na detecção de câncer.

“O que vimos em nossa pesquisa é que os cães encontram (a doença) cinco dias antes de eles (pacientes) terem quaisquer sintomas clínicos”, disse Anna Hielm-Bjorkman, professora-adjunta da Universidade de Helsinque especializada em pesquisa clínica de animais acompanhantes, à Reuters.

“Eles são muito bons (nisso). Chegamos perto de uma sensibilidade de 100%”, disse ela, referindo-se à capacidade dos cães para detectar casos do vírus.

No exame canino, um passageiro passa uma gaze no pescoço e a coloca em uma lata, que depois é entregue em outra sala para que um cão a fareje e ofereça um resultado imediato.

Em julho, o aeroporto de Dubai, um dos mais movimentados para conexões internacionais, foi o primeiro no mundo a usar cães farejadores de coronavírus.

Os animais também estão sendo treinados no Reino Unido, na França, na Alemanha, nos Estados Unidos e na Austrália.

Na Bélgica, cães também estão sendo treinados para farejar humanos que estejam sofrendo os efeitos de uma infecção por coronavírus.

Coordenado pelas universidades de Ghent e Liège, o projeto usa pastores belgas malinois, uma das raças com maior potencial, por causa de sua capacidade de concentração.

Com cerca de 200 milhões de terminações olfativas, os cachorros, independentemente da raça, têm um olfato 100 mil vezes mais sensível que o dos humanos (cujas céluals olfativas ficam em torno de 5 milhões).

“Mas esse tipo de trabalho requer foco, curiosidade, disciplina e persistência”, disse à Folha o professor do departamento de ecologia da Universidade de Ghent, Chris Callewaert.

Outras raças mais comumente usadas nessas investigações pelo olfato são labrador, golden retriever e pastor alemão. São animais que gostam de procurar e recuperar objetos e não desistem facilmente da busca.

A identificação de contaminados é possível porque o coronavírus altera o cheiro do suor, segundo o professor.

Para ensinar os cachorros a detectá-los, os cientistas coletam amostras de suor tanto de pessoas sãs quanto de doentes, e premiam os animais quando eles reagem às de quem contraiu Covid-19.

Callewaert diz que, no início, os cachorros fazem a identificação cheirando materiais que foram esfregados nas axilas das pessoas. Mas, uma vez treinados, eles são capazes de identificar doentes até mesmo à distância.

A ideia é que eles possam ser usados não só nos aeroportos, mas em lugares de concentração de pessoas, como em jogos esportivos ou shows.

Segundo o cientista da universidade belga, os experimentos têm mostrado que o acerto dos cães no diagnóstico da infecção por coronavírus chega a 100% –mais precisos, portanto, que os testes de laboratório.

“Por segurança, as pessoas podem até fazer um teste depois, mas a identificação pelos cães farejadores é muito mais rápida que esperar até que alguém desenvolva sintomas”, afirma ele.

A rapidez no diagnóstico e o isolamento dos suspeitos é uma das principais medidas para conter a transmissão da Covid-19, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Ele garante também que a nova habilidade não expõe os animais ao risco de pegar o coronavírus, já que o patógeno não está presente no suor, apenas em gotículas de saliva ou secreção nasal.

Além disso, o cão precisa apenas do cheiro, e não de entrar em contato com o suor. Por isso, ele não se aproxima mais do que 20 centímetros das amostras durante o treino ou quando já está em serviço.

O risco também é quase inexistente quando os cachorros estiverem sendo usados em eventos, afirma Callewaert: “Embora haja casos raros em que o vírus foi encontrado em um cão ou gato, isso geralmente acontecia porque ele havia sido acariciado com muita frequência e carregado por pessoas muito infectadas”.

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